Governo do Distrito Federal
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Comissões Cruls

A história das comissões de exploração e estudo da região do Planalto Central do Brasil

 

 

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Era 21 de abril de 1960 quando o então presidente Juscelino Kubistchek, orgulhoso de seu maior feito, inaugurava Brasília, a capital do Brasil e sede do governo do Distrito Federal. Ao lado de seu nome, brilhavam os dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer, e do engenheiro estrutural Joaquim Cardozo que, “com engenho e arte”, trouxeram para o coração do país o que havia de mais ousado no mundo da arquitetura e da construção civil. Mas você sabia que séculos antes outras pessoas já tinham vislumbrando esse sonho? Então, puxe uma cadeira, que eu vou te contar…

 

 

Arpdf/Mapa do Brasil Mostrando posição do Distrito Federal Demarcado

Brasil Colônia

Transposto o perigo, unido o Império, constituída a capital d’além-mar, restavam ainda os invasores a combater. Então, nossa história começa lá, nos idos do período colonial…

 

 

 

Arpdf/Mapa 1 – Comissão de Estudos da Nova Capital

 

Coube a uma figura polêmica, o Marquês de Pombal, vislumbrar a necessidade de proteger a capital da colônia de possíveis ataques por mar. O Marquês sugeriu, então, que ela fosse construída no interior do Brasil.

 

 

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Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, novos ares varreram o mundo, sendo proclamada a República no Brasil. Com ela, agora estava escrito na Lei a determinação de interiorizar a capital. A Constituição de 1891, em seu artigo 3º dizia que “fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital federal.”

 

 

 

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E especificava mais! Em seu parágrafo único estabelecia que, “efetuada a mudança da Capital, o atual Distrito Federal passará a constituir um Estado”. A determinação em Carta Magna era imperiosa e então, o presidente Floriano Peixoto ordenou a criação de uma comissão de cientistas para explorar e demarcar, no Planalto Central, a área que receberia a capital nova da República.

 

 

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Primeira Comissão Cruls

 

Autorizada pelo Congresso, a COMISSÃO EXPLORADORA DO PLANALTO CENTRAL DO BRASIL, sob a liderança do engenheiro, astrônomo e diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, o belga Louis Ferdinand Cruls, partiu em junho de 1892 rumo ao coração do Brasil.

 

 

 

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Além de Cruls, outros 21 membros, dentre os quais, astrônomos, médicos, geólogos, farmacêuticos, botânico, e militares, refizeram as trilhas abertas pelo Visconde de Porto Seguro.

 

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Chegada em Uberaba

 

E o apito saudoso e melancólico da Maria Fumaça anunciou a chegada da Comissão a Uberaba, no Triângulo Mineiro, fim da linha férrea de uma jornada que, a partir deste ponto, seria percorrida a cavalo, por mais de 14 mil quilômetros e que duraria 8 meses.

 

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Cruzando o Brasil

 

As quase 10 toneladas de bagagem, os mais de 200 baús de madeira foram acomodados em lombos de mulas e a Comissão avançou: Pirenópolis, Santa Luzia (hoje Luziânia) e Formosa.

 

 

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Separada em dois grupos, a Comissão tinha como objetivo marcar o tão sonhado quadrilátero de 14.400 Km². Cruls seguiu com o primeiro grupo rumo à cidade de Formosa, via Serra do Urbano ou das Divisões, saída ao Norte pelos divisores de água.

 

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O outro, chefiado pelo astrônomo Henrique Morize, também com destino a Formosa, seguiu pelo Sul, via Corumbá, Santa Luzia e Mestre d’Armas.

 

 

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Rumo aos vértices

 

De Formosa, a Comissão se dividiu em 4 turmas, uma para cada vértice do quadrilátero a ser demarcado no solo, inserindo a região dos Pirineus, bem como as cabeceiras de rios que formavam as bacias de grandes leitos d’água.

 

 

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O Caminho

 

Guiada pelas estrelas, pelo sol e pela lua, após a coleta de vários dados, medições e levantamentos, a primeira expedição delimitou os marcos do quadrilátero Cruls, uma área de 160 km por 90 km, berço das nascentes das bacias dos rios Amazonas, São Francisco e Paraná.

 

 

 

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De volta ao Rio de Janeiro, Cruls e seus companheiros de viagem mostraram, na sede dos Correios e Telégrafos, o que colheram no Planalto: mapas, fotografias, amostras de solo, fauna e flora, tudo que os encantou e que ratificava as razões para a transferência da capital para uma região de onde o progresso se espalharia para todo o país.

 

Arpdf/Mapa dos Itinerários Levantados

 

Em 1893, um relatório parcial desta comissão foi apresentado ao governo e publicado no Diário Oficial. No ano seguinte vinha a público o “Relatório Completo” ou “Relatório Cruls”, como ficou conhecido.

 

 

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Nova Etapa

 

Quase dois anos depois de iniciada a primeira viagem, em 1894, Floriano Peixoto convocou novamente Cruls para sua segunda missão, a de chefiar a Comissão de Estudos da Nova Capital da União. Assim como a 1ª, esta passou a ser chamada simplesmente de 2ª Comissão Cruls.

 

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Determinado o Quadrilátero para o novo Distrito Federal, os pesquisadores agora deveriam indicar o local específico para a construção da cidade-capital. O presidente queria saber mais sobre o clima, o abastecimento de água, a topografia e a natureza do terreno.

 

 

 

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Ele queria também a instalação de uma estação meteorológica, providenciar a ligação telegráfica à rede mais próxima e saber sobre a ligação férrea ou férreo-fluvial que conectava esta região ainda pouco conhecida dos grandes centros urbanos da época.

 

 

 

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Para esta segunda Comissão, Cruls convidou o francês Auguste Glaziou, engenheiro botânico e civil, responsável pela transformação de vários parques na cidade do Rio de Janeiro e diretor dos parques e jardins particulares de D. Pedro II.

 

 

 

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A formação rochosa, a fauna e a flora, tudo provocava surpresa e encantamento em Glaziou que, por seu turno, defendeu a recriação de um lago que, segundo ele, deveria ter existido na região há milhões de anos. Este lago é o que hoje espelha o céu de Brasília.

 

 

 

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Infelizmente, os trabalhos de campo desta 2ª Comissão foram suspensos por falta de recursos. Sob o governo de Prudente de Morais, por falta de verba, no final de 1895 os pesquisadores tiveram que voltar às pressas ao Rio de Janeiro. Faltou dinheiro até para enviar de volta os equipamentos!

 

 

 

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Os militares que integravam esta 2ª expedição tiveram que ficar acampados para fazer a guarda dos equipamentos até que foi aprovada uma verba emergencial para o transporte de volta ao Rio. Assim, esta segunda comissão não concluiu seu relatório, sendo publicado apenas um parcial, em 1896, com informações sobre a ligação férrea.

 

 

 

Arpdf/Mapa 3 – Comissão de Estudos da Nova Capital

 

A Nova Capital

 

Dela também se tem notícias sobre os lugares propostos para a construção da nova capital: o vale do Rio Descoberto ou entre os rios Gama e Torto. A competência técnica dos resultados da Comissão de Estudos da Nova Capital da União foi confirmada mais tarde quando, em meados da década de 1950, por meio de análise de fotografias aéreas, outra comissão para esse fim, liderada pelo Marechal José Pessoa, confirmou a escolha de um dos lugares sugeridos, onde, de fato, Brasília foi construída: entre os rios Gama e Torto.

 

 

 

 

“Digam o que quiserem, Brasília é um milagre. Quando lá fui pela primeira vez, aquilo tudo era deserto a perder de vista. Havia apenas uma trilha vermelha e reta descendo do alto do cruzeiro até o Alvorada, que começava a aflorar das fundações, perdido na distância. Apenas o cerrado, o céu imenso, e uma ideia saída da minha cabeça. O céu continua, mas a ideia brotou do chão como por encanto e a cidade agora se espraia e adensa.”   Lucio Costa

 

 

 

 

 

 

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Mas, um outro documento fantástico, os diários de viagem da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, escritos em campo por um dos participantes, o militar Hastimphilo de Moura, traz relatos incríveis da primeira expedição! Cartas de amor, brigas, comemorações, choros… saudade… Digno de um roteiro cinematográfico! E é esta a história que nós, do Arquivo Público do Distrito Federal, estamos preparando para contar em breve para vocês, por meio da publicação destes diários, ainda inéditos.

 

 

 

 

Minuto da Memória Candanga – Comissão Cruls

 

 

Vídeos: Neste trecho, o General Poli Coelho se enontra com um antigo membro da Comissão Cruls 

 

 

 

 

 

 

 


• Xadrez com o Imperador

Luiz Cruls era também um excelente enxadrista! Um dos adversários preferidos de Dom Pedro II! Amigo íntimo e pessoal do Imperador, Cruls, então diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro enviava de lá, por meio de mensageiros, a informação sobre o movimento realizado em seu tabuleiro. Dom Pedro II recebia a mensagem, mexia suas peças no tabuleiro que ficava no palácio e mandava de volta a mensagem informando sobre o movimento imperial. Para quem acha que xadrez é um jogo de partidas intermináveis, imagine jogadas assim!

 

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Retrato de Luiz Cruls

 

 

• Conferência de Washington de 1884

Luiz Cruls representou o Brasil na Conferência de Washington de 1884. Neste evento, 25 nações reunidas, estabeleceram, no dia 22 de outubro, que “o meridiano que passa pelo centro do instrumento meridiano do observatório de Greenwich” fosse adotado “como meridiano fundamental para as longitudes”. Cruls, sob orientação do imperador Dom Pedro II, se absteve do voto.

 

 

 

 

 

 

 

•A morte de Cruls

Em 1901, Cruls chefiou a Comissão Mista de Limites Brasil-Bolívia. Durante esta expedição, que também durou sete meses, Cruls contraiu uma série de doenças, dentre elas, a malária que, sete anos depois, o levou à morte. Muitos pesquisadores sequer retornaram desta viagem. Mas o legado de Cruls, principalmente para a astronomia, o coloca entre os grandes nomes de seu tempo

 

 

 

 

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